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As fontes da inflação


Com uma encenação de dois dias de duração, o Comitê de Política Monetária (nome pomposo) do Banco Central decidiu, soberano, alterar a taxa de juro da Selic, prevendo-se que poderá elevá-la mais ainda, até o final do ano, para 12,75% a.a., tudo sob o argumento de que o “atual cenário de atividade econômica brasileiro está superaquecido”.  images (2)

Antes fosse verdade que a Economia brasileira se encontra altamente aquecida; que não houvesse tanta gente desempregada tentando ganhar a vida como camelô em cada esquina das ruas das cidades deste país; que não existisse tanta pobreza e tanta gente pedindo esmolas. E que a inflação fosse bem maior do que a anunciada pelos que nos querem “salvar do mal inflacionário” aplicando juros de agiota que assolam nosso país desde 1964.

O povo brasileiro precisa adquirir mais conhecimento a respeito da Economia para não se deixar enganar pela lábia dos impostores. A primeira coisa a saber é que não existiu e nem existe nenhum país no mundo que tenha a sua economia funcionando sem inflação.

A inflação faz parte integrante da vida vegetativa da economia, seja o país capitalista, socialista ou comunista. Sem inflação não existe Economia. É a inflação que movimenta a Economia, gerando o lucro. O lucro é a pedra angular da Economia. Os que afirmam poder fazer a Economia funcionar sem inflação são apenas farsantes.

A Economia verdadeiramente funciona movida pela atuação de dois pólos de composições diferentes, porém ambos gerando inflação própria. A doutrina convencional constante dos livros-textos da Economia enfatiza, com grande destaque, a inflação originada do setor produtivo, fazendo vista grossa para a inflação emanada do setor financeiro.

No entanto, a realidade comprova de modo inquestionável a existência de duas fontes de inflação. Uma, irradiando a inflação proveniente do setor financeiro. Tudo que é vendido à vista trás resquícios da inflação decorrente da Economia real (produção); tudo que é vendido a prazo abriga inflação de conteúdo financeiro. A crise atual, irrompida em 2008, é de causa financeira. Igualmente de origem financeira foi a crise ocorrida em 1929/1930.

Isto posto, cabe esclarecer as reais funções exercidas pelo juro dentro da Economia. O juro dentro do sistema econômico atua de duas maneiras bem caracterizadas: nos empréstimos e financiamentos na agricultura, indústria, comércio, transportes e serviços, o juro efetivamente é um custo, um encargo fazendo crescer os preços dos alimentos, dos produtos industriais, dos financiamentos da casa própria.

No setor financeiro o emprego do juro proporciona lucro aos bancos e aos agiotas. Conclusão: o juro não é, como se vê, um fator impeditivo da elevação dos preços (inflação) no setor de produção. Aliás, a única coisa que, dentro da atividade econômica produtiva estabiliza os preços é a produção maior do que o consumo. Quanto à inflação financeira, o controle tem que ser feito através de uma taxa de juros baixa.

É pois controvertido e falso o “combate” à inflação propalado pelo Banco Central. O juro freia, impede o desenvolvimento em geral e detém o crescimento da empresa privada obrigando o Estado a suprir a deficiência. A Economia brasileira necessita desenvolver-se permanentemente para acompanhar a expansão demográfica e corrigir o déficit do desemprego. A maior desgraça econômica num país não é a inflação, é o desemprego que cria a criminalidade. Esse Côpom optando pela agiotagem ou está mal intencionado ou é incompetente.

O Banco Central foi criado pela Ditadura em 1964. Os atuais dirigentes alegam que a autarquia tem independência operacional. Mas, independência de quem? Dizem que é independência do Governo Federal. Ora, o Governo Federal é a Pátria. Que fidelidade pode ter ao Brasil um Banco Central que atua desgarrado do governo constituído? Não mantendo parte com o Governo Federal, quem indica a diretoria dessa instituição independente?

É constitucional existir um Banco Central com poder independente do Governo Federal – controlando soberano setores vitais da Economia brasileira; a Casa da Moeda (emissão de dinheiro), o crédito, o juro, o câmbio, a entrada e saída de capitais, os bancos e as instituições financeiras? E a Defesa Nacional, as Forças Armadas podem garantir ser esse Banco Central independente “verde e amarelo”?

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