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Como aproveitar e tirar lucros com a alta da inflação


Apesar do Banco Central sustentar que a inflação deve dar uma trégua daqui para frente, o mercado continua cético quanto à evolução dos preços: a expectativa é que o IPCA termine o ano em 6,45%, praticamente empatado com o retorno da poupança.

INF11

Mas se no começo do ano a subida nos juros era apontada em uníssono como provável remédio para a escalada da inflação, as expectativas mudaram da água para o vinho depois que o BC reduziu a Selic em meio por cento na última reunião do Copom. Com a economia mundial caminhando a passos trôpegos, é hora do investidor voltar os olhos para sua estratégia de investimento para avaliar como a inflação e novos cortes na taxa básica podem minar sua rentabilidade.

Na avaliação do professor do Ibmec Márcio Salvato, os preços continuarão altos até o fim do ano. "Em um cenário em que a capacidade ociosa é baixa, com mercado de trabalho aquecido, uma redução nos juros acaba favorecendo a demanda", afirma. "Você barateia o consumo à vista e a prazo, aumentando a pressão sobre o consumo.”

O desafio é obter um ganho real com as aplicações financeiras. Nos últimos 12 meses, por exemplo, quem ganhou 100% do CDI levou para casa um retorno de 11,37%. O CDI é um retrato dos juros diários cobrados pelos bancos para fazerem transações entre si, balizando o rendimento dos CDBs e acompanhando de perto o desempenho da Selic. Mas quando considerada a inflação medida no mesmo período pelo IPCA, o lucro da aplicação cai para nada menos que 4,1%.

No embate entre poupança e inflação, quem apostou na tradicional caderneta saboreou um resultado muito mais amargo. Enquanto a caderneta remunerou o investidor em 6,66%, a inflação acumulada chegou a 7,23%. Na prática, o dinheiro deixou de valer o mesmo tanto e a poupança sequer repôs esta diferença.

Apesar do mercado ter levantado dúvidas sobre a ação do BC diante de um cenário tão nebuloso para os preços no Brasil, o governo já sinalizou que deve promover novos cortes na taxa básica de juros daqui para frente. Na renda fixa, a consequência mais óbvia é a perda de atratividade dos investimentos ligados à Selic. É o caso dos fundos DI e das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs).

"Por outro lado você tem um claro risco inflacionário, o que não deve levar a quedas tão expressivas na taxa básica de juros", afirma Salvato, do Ibmec. Por essa ótica, investir em títulos indexados a um índice de preços não deixa de ser uma boa saída – o investidor garante o recebimento de uma taxa fixa, além da evolução do IPCA.

Se a bolsa costuma se beneficiar da redução da Selic, já que os investidores perdem o generoso retorno garantido pelos papéis do governo e aceitam correr riscos em busca de alternativas mais rentáveis, o desenrolar dos problemas econômicos lá fora e no Brasil ainda são muito turvos para determinar uma volta imediata à renda variável. “Se a inflação continuar subindo, não tem como a queda dos juros sustentar uma boa performance para os papéis na bolsa”, diz Carlos Alberto Widonsck, professor da Fundação Vanzolini. “Preços mais altos podem acabar afetando o balanço das empresas e ainda não dá para prever se o provável aumento do crédito com a diminuição dos juros compensaria este movimento.”

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