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Expectativas equivocadas favorecem a inflação


A condução das expectativas sobre os rumos da inflação e da taxa básica de juros na gestão de Alexandre Tombini à frente do Banco Central está levando economistas e analistas a errarem mais nas apostas sobre o resultado das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do que no ano passado e em 2007, pré-crise mundial.

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Os desencontros entre o mercado e o BC levam bancos, investidores e empresas a trabalharem com expectativa maior de inflação, provocam alta no custo dos financiamentos e aumentam a necessidade de medidas – como a elevação da taxa básica de juros, a Selic – para conter a pressão por reajuste de preços.

Cálculo feito pelo Banco Espírito Santo Investiment Bank Brasil (BESI) a pedido da Agência Estado mostra que a média de acerto do resultado das primeiras quatro reuniões do Copom neste ano caiu para 77% das apostas de analistas e economistas pesquisados antes de cada decisão sobre a taxa Selic. Em 2010, ano eleitoral e de despedida de Henrique Meirelles como presidente do BC, a média foi de 83% nas oito reuniões do Copom.

Em 2007, início do segundo mandato do ex-presidente Lula e que antecedeu a crise dos mercados deflagrada pela bolha de crédito, o acerto médio das estimativas do mercado nos oito encontros do comitê foi de 89% – melhor que as medias registradas das apostas para as decisões dos bancos centrais da Nova Zelândia e da Inglaterra, modelos de regime de metas de inflação, e até do que o Federal Reserve americano, que não adota o regime de metas de inflação.

Naquele ano, o desempenho do BC na calibragem das expectativas do mercado sobre o rumo dos juros foi pior apenas que o do Banco Central Europeu (BCE), cujas decisões foram previstas com um acerto de 98%, em média. O porcentual de acerto nas apostas de economistas e analistas sobre as decisões de taxa de juros é um termômetro de quão bem um banco central está se comunicando com o mercado sobre como vê o cenário econômico e os riscos futuros que poderão afetar a demanda e a oferta, os preços e outras variáveis importantes para a determinar os juros.

"A comunicação do Banco Central funcionava super bem até 2007, o que nos fazia dizer que o BC era previsível, pois tinha uma coordenação boa das expectativas", diz Flávio Serrano, economista sênior do BESI. "Com a postura tomada a partir de 2010, a gente observa que houve muito mais ruído na comunicação."

Em períodos de estresse na economia mundial, como foram os anos de 2008 e 2009, quando os bancos centrais de vários países foram forçados a adotarem medidas emergenciais e inesperadas para evitar um colapso do mercado mundial, não é possível julgar a qualidade da comunicação das autoridades monetárias.

Pontos de inflexão da política monetária, quando um BC para ou dá início a ciclos de elevação ou redução de juros, também podem afetar negativamente o porcentual de acerto das decisões.

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