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Maioria dos reajustes salariais ficaram acima da inflação


De um total de 353 negociações salariais conduzidas no primeiro semestre, 93% conquistaram reajustes iguais ou superiores à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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É o segundo melhor resultado desde 2008, de acordo com o Sistema de Acompanhamento de Salários do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado hoje (18), na capital paulista. Segundo o Dieese, em 2010, 96% das negociações salariais resultaram em reajustes iguais ou superiores à inflação. Em 2009, o percentual foi 92% e, em 2008, 88%.

Para o coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira, o resultado das negociações em 2011 foi satisfatório mesmo que tenha registrado um pequeno recuo na comparação com o ano anterior. “Se nós olharmos a faixa de melhor ganho de salário, aquela acima de 3%, em 2008 e 2009, [o ajuste] foi próximo de 5%. Em 2010, foi 15% e, em 2011, 12%. Do ponto de vista de patamar, está estável”.

Silvestre ressaltou que o resultado deve-se ao fato de que 2011 mostra uma certa continuidade na recuperação e no crescimento da economia vistos em 2010. “Nós tivemos uma campanha grande no começo do ano, com discurso dos analistas e economistas do setor empresarial dizendo que os trabalhadores teriam que ser mais comedidos nas negociações salariais, caso contrário poderiam causar inflação”.

O diretor técnico enfatizou que as negociações não influenciaram em nada a inflação, já que a produtividade média cresceu acima dos salários e o ganho real médio, em 2010, foi medido em 1,7%. “Pelo menos para os mercados metropolitanos, o salário médio vem caindo desde o começo do ano e a inflação também está em queda. Eu diria que, assim como o mercado interno segurou o crescimento econômico desde 2004 e contribuiu para o resultado positivo das negociações desde 2004, em 2011 foi igual”.

De acordo com a apuração do Dieese, o comércio foi o setor em que as negociações foram mais exitosas, com 98% delas tendo conquistado aumentos reais e 2% tiveram reajustes iguais à inflação. Na indústria, 87% das negociações obtiveram aumentos reais e 10% tiveram reajustes iguais à inflação. “A indústria já está desacelerando, mas, no segundo semestre, há grandes setores de peso que iniciam suas negociações. Os segmentos com maiores dificuldades são aqueles atrelados ao câmbio, que exportam e dependem da crise lá fora”.

Silvestre estimou que, no segundo semestre, mesmo que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça abaixo de 4%, persistirá a tendência de obtenção de reajustes em patamares semelhantes aos dos primeiros seis meses do ano. “Isso se deve ao mercado interno. Mesmo que haja uma desaceleração da atividade econômica e do consumo, ainda vai haver, como reflexo do desenvolvimento do ano passado, um consumo interno que vai segurar esse crescimento da economia, o que vai se refletir nos reajustes”, explicou.

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