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Meta da inflação foi abandonada, diz consultoria de ex-BC


Em informe enviado a clientes nesta quinta-feira, 1º, a consultoria A.C.Pastore & Associados, dirigida pelo ex-presidente do BC Affonso Celso Pastore, decreta: "A meta de inflação foi abandonada, e o novo objetivo da política monetária é estimular o crescimento do PIB." O texto tem o título autoexplicativo "Metas de inflação: Recquiescat in Pacem", que numa tradução livre do latim significa "Descanse em Paz."

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Segundo o informe, há algum tempo vem sendo discutido qual seria o grau de independência do BC. O texto destaca que, embora não exista autonomia legal, dado que seus diretores não têm mandato com prazos fixos – são "demissíveis ad nutum" -, desde a criação do regime de metas de inflação o Banco Central foi de fato independente. "Com a decisão de ontem, o Banco Central mostrou um grau de docilidade surpreendente", destaca o comunicado da consultoria. "O mundo não vai acabar. Mas a inflação no Brasil será persistentemente mais elevada", diz o texto.

De acordo com o documento da A. C. Pastore e Associados, "o fantasma de uma contração (mundial) semelhante à ocorrida em 2008 foi usado para justificar a decisão de ‘tempestivamente mitigar’ os efeitos dessa crise internacional". Os economistas apontam que não é nula a probabilidade de ocorrer "um evento de cauda", capaz de provocar efeitos parecidos com os da crise registrada há três anos. "Mas essa catástrofe ainda não ocorreu, o que não justifica reagir a ela precocemente", destaca o comunicado.

Segundo o texto, com o atual ritmo de desaquecimento da economia do Brasil a inflação tenderia a baixar, "mas se situaria bem acima da meta de 4,5% ao final de 2012". De acordo com o informe especial, o governo da presidente Dilma Rousseff avalia que a desaceleração do nível de atividade "não é aceitável", pois "quer um crescimento acima de 4,5% ao ano, se bem que não saiba bem como atingir esse objetivo". O documento aponta que "nas últimas semanas cresceram as pressões para que o Banco Central iniciasse imediatamente um ciclo de redução da taxa Selic."

A consultoria apontou que nos últimos dias, o governo "ensaiou" anúncios de política fiscal e o Banco Central mostrou-se "preocupado" com os desdobramentos da crise internacional. Esses passos começaram quando o governo anunciou um aumento de R$ 10 bilhões no superávit primário deste ano, de R$ 117,89 bilhões para R$ 127,89 bilhões. O texto destacou que esta poupança extra surgiu de arrecadação não recorrente e que o Poder Executivo, com isso, mencionou que estaria criando as condições para a redução da taxa de juros, como foi manifestado na segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Mas logo em seguida o governo tropeçou na sua própria promessa ao anunciar a proposta de uma Lei de Diretrizes Orçamentárias na qual, de fato, eleva as despesas em proporção ao PIB, enfatizando que manterá intacto todo o seu programa de investimentos", aponta o texto. E, de acordo com o texto, tal manifestação oficial foi feita tendo como base uma projeção de receita que assume a hipótese de um crescimento do PIB de 5% em 2012.

O informe especial da consultoria aponta que os passos ensaiados pelo BC, nesta espécie de dueto com a Fazenda, começaram com uma análise "extremamente pessimista" dos desdobramentos da crise externa sobre a economia brasileira. "Há algum tempo, as autoridades monetárias vêm justificando a sua relutância em elevar a taxa Selic em uma velocidade maior, mesmo diante de uma inflação em crescimento, na afirmação de que a desaceleração da economia internacional seria muito maior."

Do mesmo modo como em 2008, aponta a consultoria, ocorreria um desaquecimento maior do Brasil através de vários canais de transmissão, como "a redução da corrente de comércio, moderação do fluxo de investimentos, condições de crédito mais restritivas e piora no sentimento de consumidores e empresários", diz o texto, citando trecho do comunicado divulgado ontem pelo BC após o anúncio da queda dos juros de 12,50% para 12%. No entanto, a consultoria aponta que esta "catástrofe" ainda não ocorreu e, portanto, não há razão para o Copom atuar de forma tão antecipada.

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