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Tombini: "Já temos sinais de moderação de atividade no país"


Embora a inflação acumulada em 12 meses tenha atingido 7,23% em agosto (maior alta desde junho de 2005), o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, prevê uma rápida retração nos números. A autoridade monetária estima que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegará a 5,23% até abril do ano que vem, abaixo do teto da meta oficial de 6,5% ao ano.

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"Teremos redução de dois pontos percentuais até abril", disse.

Durante a abertura da Semana Imobiliária promovida pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), Tombini reafirmou que o objetivo é trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5%, até dezembro de 2012.

"Já temos sinais de moderação de atividade no país."

Segundo ele, sempre há sinais contraditórios "aqui e acolá", mas o Produto Interno Bruto (PIB) que encerrou 2010 em 7,5% não repetiu a mesma pujança nos primeiros trimestres do ano.

Não à toa, o presidente do BC acrescenta que o PIB brasileiro está sendo revisto e o novo número será divulgado no Relatório de Inflação, que sairá no fim deste mês.

Até agora, a instituição trabalha com a expectativa de alta de 4%.

Ação estatal

As medidas para conter a entrada de capital especulativo conseguiram mudar o perfil do fluxo direto no Brasil.

De acordo com Tombini, a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em derivativos cambiais e o encarecimento em posições vendidas de câmbio fizeram com que o portfólio de investimentos se tornasse majoritariamente de longo prazo.

"Antes da crise de 2008, 60% do portfólio era de curto prazo e apenas 40%, de longo prazo. Agora, 65% são de longo prazo e 35%, de curto", afirma.

Segundo ele, esse processo de reversão é menos arriscado para o país, em caso de uma piora do cenário externo. Isso significa que não haveria uma fuga de capital, o que prejudicaria enormemente a economia brasileira.

Hoje, o governo prorrogou para 14 de dezembro o início do pagamento do imposto sobre derivativos de câmbio, que foi anunciado em julho.

O valor será retroativo a 27 de julho, data do anúncio da mudança. O objetivo é restringir especulações no mercado futuro.

Commodities

A deterioração do cenário internacional, nos últimos dois meses, foi o estopim para o corte da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto.

Na ocasião, a Selic foi reduzida de 12,5% para 12% ao ano. "O crescimento menor dos países tem impacto no Brasil", afirma o presidente do Banco Central.

Tombini diz que esse fato "conterá o ímpeto dos preços das commodities".

"Há muita heterogeneidade nas commodities. A agrícola, por exemplo, continua alta, enquanto as metálicas são cíclicas, já que dependem das condições econômicas mundiais", acrescenta.

No entanto, ele não prevê repetição dos picos de alta registrados no início do ano. "Os preços não terão a mesma dinâmica. Por isso, estamos mais adiantados na retirada de pressões", pontua, referindo-se ao corte da Selic.

"Mas aí você me pergunta: por que o preço da carne que não para de subir? A questão é que a política não desfaz a sazonalidade. No entanto, desta vez, o preço não vai se propagar para serviços e salários", declara.

O presidente da autoridade monetária diz ainda que vai monitorar o desenrolar do que chamou de "segunda onda da crise financeira".

"É assim que tomaremos nossas decisões", destaca o presidente do BC, deixando no ar a possibilidade de novos cortes na taxa de juros.

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